David Copperfield.  Charles Dickens
Capítulo 24. A MINHA PRIMEIRA DISSIPAÇÃO
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Era uma coisa extraordinária possuir para meu uso aquele castelo altaneiro e experimentar a sensação de Robinson Crusoe quando se recolhia por trás das suas muralhas e retirava a escada. E que coisa também extraordinária passear pela cidade, com a chave no bolso, e saber que podia convidar quem quisesse sem receio de incomodar fosse quem fosse! Que maravilha ter o direito de entrar e sair, ir e vir, sem dar contas a ninguém! E de tocar a campainha quando precisava da senhora Crupp e vêla chegar - se estava disposta a isso - vinda das profundezas da terra, ofegante da caminhada! Na verdade, eram coisas maravilhosas... mas devo confessar igualmente que havia ocasiões em que não era assim tão agradável.

Tudo corria bem de manhã, sobretudo se estava bom tempo. De dia, a vida era tão pura, tão livre, e ainda mais pura e livre quando o sol brilhava; mas, à hora crepuscular, a vida parecia declinar também e, não sei porquê, a minha instalação perdia todo o seu encanto à luz das velas. Desejaria ter alguém com quem falasse. Agnes faziame falta. Sem tão graciosa confidente, à minha volta criavase o vácuo. Achava que a senhora Crupp vivia em cascos de rolhas. Lembravame do meu predecessor no alojamento, esse que morrera por excesso de bebidas e tabaco: mais valia que ainda estivesse neste mundo e não me incomodasse com a recordação da sua morte.

Após dois dias e duas noites, considerei que já habitara nesses aposentos cerca de um ano, e afinal eu não envelhecera nada, a minha extrema juventude continuava a arreliarme!

Como ainda não houvesse recebido a visita do Steerforth, pensei que ele estivesse doente e, no terceiro dia, deixei mais cedo os Doctor's Commons para me dirigir a Highgate. A senhora Steerforth ficou encantada por me ver: segundo me explicou, o filho partira com um dos seus amigos de Oxónia em visita a um camarada que habitava nos arredores de St. Albans; mas esperava que regressasse no dia seguinte. A amizade que eu dedicava a Steerforth era tão grande que cheguei a ter ciúmes desses amigos da Universidade.

Insistiu em que eu ficasse para jantar. Aceitei. Creio que, durante todo o tempo, James foi o nosso único tema de conversa. Conteilhe quanto o estimavam em Yarmouth e como ali se mostrara simpático. A senhora Dartle não se esqueceu de fazer insinuações e perguntas misteriosas. A nossa estada na minha terra natal pareceu interessála deveras. O caso é que

conseguiu fazerme falar e eu disse tudo o que ela queria saber. A sua aparência era a mesma que já descrevi depois de a ver pela primeira vez, porém a companhia das duas senhoras pareceume tão agradável e consoladora que senti certa afeição pela senhora Dartle. Por várias vezes no decurso do serão (e sobretudo ao voltar para casa, em plena noite), não me coibi de pensar quanto me seria grata a presença da senhora Dartle nos meus aposentos de Buckingham Street.

Tomava eu o meu café da manhã, antes de ir ao trabalho (devo observar que esse café não passava de uma água de castanhas) quando apareceu Steerforth em carne e osso, o que me causou imensa alegria.

- Meu caro! - exclamei - começava a supor que não te veria mais!

- Cheguei e vim logo visitarte, Bonina. Tens uma instalação famosa!

Fizlhe as honras da casa, mostrandolhe todas as minhas comodidades. Steerforth apreciouas.

- Não sei se sabes - acrescentou ele - que vou servirme dos

teus aposentos como minha aposentadoria da cidade, até que me expulses de vez.

Que prazer ouvir uma coisa destas! Declareilhe que podia dispor eternamente do que era meu.

- Agora vais almoçar - ajuntei, dispondome a tocar a sineta. - A senhora Crupp farteá café. Tenho aqui uma grelha, arranjarteei um pedaço de toucinho.

- Não, não, não toques! É impossível. Combinei almoçar com um dos meus colegas, que se hospedou no Piazza Hotel, de Covent Garden.

- Mas ao menos vens jantar?

- Também é impossível, apesar do prazer que teria nisso. Tenho de ficar com eles. Somos três, e amanhã pomonos a caminho.

- Trálos aqui. Achas que aceitariam?

- Não se fariam rogados - disse Steerforth. - Todavia não quero que te incomodes. Mais vale que venhas jantar connosco a qualquer parte.

Recusei com energia, porque me lembrei que era a única oportunidade de lhes oferecer a minha casa. Steerforth gostara da instalação, o que me envaidecera, e eu ansiava por exibir o conforto de que dispunha. Obrigueio, pois, a prometer que traria os dois amigos. O jantar seria às seis horas.

Depois da partida dele, toquei a campainha e comuniquei à senhora Crupp o meu audacioso projecto. A senhora Crupp começou por me dizer que, é claro, se não podia contar com ela para servir à mesa, mas que conhecia um rapaz desembaraçado que, parecialhe, se desempenharia da função mediante cinco xelins e o mais que eu lhe quisesse dar.

Respondi que iria certamente precisar desse rapaz. Declarou em seguida a dona da casa que, não podendo estar em toda a parte ao mesmo tempo (observação que achei justa), me conviria dispor de uma rapariga que, postada no gabinete, fosse lavando os pratos, à luz de uma vela. Indaguei quais seriam as pretensões dessa rapariga e ela explicoume que aí uns dezoito dinheiros não me deixariam arruinado. Repliquei que pensava o mesmo, e o acordo fezse logo. A senhora Crupp atacou a seguir a questão da ementa.

O operário que instalara o fogão da senhora Crupp fora realmente de uma imprevidência inacreditável, pois era impossível cozer aí outra coisa além de costeletas e puré de batata. Aludi a peixe: a senhora Crupp propôsme, à laia de resposta, que eu fosse à cozinha deitar uma vista de olhos ao forno. Seria uma coisa decisiva. Desejava eu ir ver? Como não adiantava nada esse exame, declinei o convite e renunciei ao peixe. «Por que não háde ter ostras à mesa, já que estamos na estação?», sugeriu a senhora Crupp. O assunto ficou arrumado. Depois a senhora Crupp aconselhoume a ementa seguinte: dois frangos assados, vindos da casa de pasto, um prato de carne de vaca e legumes, também da mesma proveniência, mais dois pratos, um de pastelão, outro de rins, idem, idem. E uma torta, ou creme, por exemplo, igualmente da casa de pasto. Isto, notou ela, deixarlheia plena liberdade para concentrar a atenção nas batatas, e servir o queijo e a salada à sua vontade.

Segui os conselhos da senhora Crupp e fui eu próprio fazer a encomenda na casa de pasto. Um pouco mais tarde, passeando pela Strand, descobri na montra de uma salsicharia um bloco estriado como mármore e com o letreiro «Para sopa falsa de tartaruga». Entrei e adquiri um pedaço que julguei suficiente para quinze pessoas. A senhora Crupp consentiu, depois de muito rogada, aquecer aquela substância, que assim se reduziu a estado líquido e que chegou exactamente para quatro pessoas, como observou à mesa James Steerforth.

Terminados que foram estes preparativos, fui comprar fruta ao mercado de Covent Garden e encontrei num retalhista da vizinhança uma quantidade razoável de vinho. Quando entrei em casa, de tarde, vi as garrafas alinhadas em ordem de batalha, no chão do gabinete, onde ocupavam enorme espaço, apesar de faltarem duas (o que contrariou muito a senhora Crupp).

Um dos colegas de Steerforth chamavase Grainger, e o outro Markham. Ambos eram alegres e animados. Grainger seria um pouco mais velho do que James, Markham aparentava ter quando muito vinte anos. Notei que este último falava sempre de si de forma indefinida, dizendo em geral «a gente», e raras vezes empregava a primeira pessoa do singular.

- A gente contentavase com um alojamento destes, senhor

Copperfield - disse ele, querendo significar «eu contentavame».

- Está bem situado - repliquei - e é muito prático.

- Espero que vocês venham ambos com excelente apetite - observou Steerforth.

- Palavra de honra - afirmou Markham - que a cidade nos

põe sempre de estômago vazio. Sentese fome todo o tempo. Passase o dia a comer.

Como, de início, me achasse um pouco intimidado e me considerasse novo de mais para presidir, cedi o meu lugar a Steerforth e senteime defronte dele. O jantar foi estupendo. O vinho correu com abundância e Steerforth desenvolveu tamanha jovialidade que do princípio ao fim estivemos sempre alegres. O que me aborreceu um tanto foi que, estando de frente para a porta, me distraía com as idas e vindas do criado: o rapaz saía a todo o instante ao corredor e eu via na parede projectarse a sua sombra, com uma garrafa à boca. A criada também me causava certa inquietação. Esqueciase de lavar os pratos e, pior do que isso, quebravaos. De seu natural curiosa, e incapaz de se confinar, conforme a ordem que lhe fora dada, no meu gabinete, a rapariga passava o tempo a nos lançar olhadelas furtivas: vendose descoberta, recuava por cima dos pratos (que dispusera cuidadosamente no soalho) e provocava uma hecatombe.

Isto, porém, era de tão pouca importância que eu esqueci logo que levantaram a mesa para servir o vinho. Percebemos então que o criado desembaraçado perdera o uso da fala. Aconselheio discretamente a descer as escadas e a ir ter com a senhora Crupp, levando ao mesmo tempo consigo a criada - e então abandoneime por completo à orgia.

De começo mostrei uma alegria descuidosa; voltavamme à memória todas as coisas meio olvidadas. Discursei como jamais fizera até aí. Chegava a rir das minhas próprias pilhérias, assim como das dos outros. Chamara à ordem Steerforth, porque ele não passava a garrafa de vinho. Prometilhes, por várias vezes, que iria visitálos a Oxónia; disselhes que tencionava oferecer jantares desse género uma vez por semana, e tive até a imprudência de tirar tão grande pitada de rapé da tabaqueira de Grainger que precisei de me refugiar no gabinete a fim de espirrar à vontade durante dez minutos.

Em seguida, principiei a passar o vinho cada vez mais depressa. Munido de sacarolhas, estava sempre a abrir uma garrafa nova, muito antes de ser necessário. Propus que se bebesse à saúde de Steerforth, meu amigo querido, protector da minha infância, companheiro da mocidade. Disse quanto me sentia feliz brindando por ele, que a minha dívida para com tal camarada nunca poderia ser paga, que a minha admiração era sem limites, e terminei exclamando: «À saúde de Steerforth, que Deus o proteja, hurra!»

Esvaziámos três vezes os copos, e depois mais uma, e outra para acabar. Quebrei o meu copo e dei volta à mesa para apertar a mão de Steerforth. Bradei: «Steerforth, és a estrela que guia a minha existência!»

Descobri de súbito que estava alguém a cantar. Era Markham, que entoava Quando o coração humano sofre de inquietação. Logo que terminou, propôs brindar pela Mulher. Objectei a isto, aleguei que não o permitiria. Disse que não achava coisa respeitosa, que jamais consentiria num brinde desses em minha casa, que ele devia ser substituído por este: «Às senhoras!» Fui em extremo acalorado, tanto mais que percebi que Steerforth e Grainger se riam de mim, ou de Markham, ou de ambos. Markham replicou que «a gente» não recebia ordens de ninguém. Insisti. E ele ripostou que não «se» queria ser ofendido. Redargui que nesse ponto o amigo tinha razão: jamais seria insultado debaixo do meu tecto, onde os deuses lares eram sagrados e a hospitalidade soberana. Ele concordou que não «se» perdia a dignidade confessando que eu era um tipo realmente fixe. Logo eu propus que se bebesse à sua saúde.

Alguém fumava. Fumávamos todos. Eu fumava e fazia esforços para contrariar os arrepios que me tomavam o corpo. Steerforth dissera qualquer coisa em meu louvor e eu quase fiquei de olhos arrasados de lágrimas. Agradecilhe e exprimi o desejo de que viessem todos três jantar comigo no dia seguinte e no outro, e às cinco horas para termos uma noite mais comprida e podermos gozar as delícias da conversa e do convívio. Acheime obrigado a beber à saúde de alguém e propuslhes: «A minha tia Betsey Trotwood, glória do seu sexo!»

Certa pessoa, debruçada à janela do meu quarto de dormir, apoiava, para a refrescar, a cabeça escaldante à pedra fria do peitoril. Essa pessoa era eu. Falava comigo mesmo. Dizia: «Copperfield, por que tentaste fumar? Bem sabes que isso te faz mal.» Depois alguém, vacilando, examinouse no espelho: esse alguém fui eu. Parecia muito pálido, tinha os olhos vagos, e o cabelo - só o cabelo, nada mais - apresentava o aspecto da embriaguez.

Alguém propôs: «Vamos ao teatro, Copperfield.» Já não vi o meu quarto, mas outra vez a mesa cheia de copos que se entrechocavam, tilintando. E a luz. E os que me rodeavam, Grainger e Markham. E Steerforth, que se encontrava defronte de mim. Mas tudo isto entre nevoeiro, como que distante. Ir ao teatro? Por que não? Excelente ideia! A caminho! Mas que me permitissem ser o último a sair, para apagar as velas... por causa dos incêndios.

Era impossível dar com a porta, na escuridão. Procuravaa nas cortinas das janelas quando Steerforth, rindo e pegandome por um braço, me colocou no verdadeiro trilho. Descemos os degraus uns atrás dos outros. Nos últimos, alguém tropeçou e caiu,

rolando até ao patamar. Pretenderam que fosse Copperfield; indigneime por ser caluniado dessa forma, mas, achandome depois estirado na entrada, e de costas, acabei por pensar que afinal tinham razão.

Lá fora havia névoa cerrada, e os lampiões estavam rodeados de grandes círculos luminosos. Ouvi dizer, vagamente, que chovia, mas pessoalmente tinha a impressão de que gelava. Steerforth compôsme o fato, à luz de um candeeiro, e enfioume o chapéu, que alguém lhe apresentou, vindo misteriosamente não sei donde, pois antes não o tinha na cabeça. Em seguida perguntou: «Como vai isso, Copperfield?» e eu respondi que ia o melhor possível.

Um homem sentado atrás de um cubículo, surgiu no meio do nevoeiro. Aceitou dinheiro de um de nós e indagou se eu estava com os outros, e pareceu hesitar (a custo o percebi) na recepção da importância relativa ao meu lugar. Pouco depois, achámonos sentados na parte mais alta de um teatro supinamente aquecido, dominando uma plateia vasta, que se me afigurou repleta de fumo, porque mal se distinguiam as pessoas que ali se encontravam. Havia ainda um palco imenso, que parecia liso como as ruas que acabávamos de atravessar. Nesse palco falavam pessoas umas com as outras, não se sabia de quê. Notavase profusão de luzes, música, senhoras em camarotes, e tudo mais! A sala inteira portavase de modo tão incompreensível, quando tentei observála, que tive a impressão de que todos aprendiam a nadar.

Por proposta de não sei quem, resolvemos descer aos camarotes da primeira ordem, onde havia damas. De passagem, vi um cavalheiro, de binóculo na mão, sentado num sofá, e vi também a minha própria figura, reflectida dos pés à cabeça, num espelho. Depois empurraramme para dentro de um desses camarotes; quando me sentei devia ter dito qualquer coisa, porque me impuseram silêncio e as senhoras me lançaram olhares indignados. Oh, mas que surpresa! Ali estava Agnes, instalada defronte de mim, no mesmo camarote, entre um senhor e uma dama, pessoas que eu não conhecia. Hoje evoco a sua imagem nesse momento, talvez com maior nitidez, e não esquecerei o espanto doloroso com que ela me contemplou.

- Agnes! - murmurei em tom rouco. - Deus me acuda! Agnes!

- Calese, por favor - retorquiu ela, sem que eu percebesse a razão. - Está a incomodar a assistência. Olhe para o palco.

Acedendo a este pedido, tentei fixar o cenário e perceber alguma coisa do que se passava entre os actores, mas foi tudo em vão. Tornei a olhar para Agnes e via encafuarse num canto, levando à testa a mão enluvada.

- Agnes! - disse. - Está indisposta?

- Sim, estou, mas não se preocupe comigo, Trotwood. Oiça: vai sair já?

- Se vou sair já? - repeti.

Tinha o desejo estúpido de lhe explicar que tencionava acompanhála no fim do espectáculo e devo ter conseguido fazêlo, bem ou mal, porque ela me fitou, pareceu compreender e respondeu em voz baixa:

- Estou certa de que me obedecerá em tudo o que eu pedir, Trot. Pois váse embora imediatamente. Faça isso por mim. Peça aos seus amigos que o levem.

A sua presença já de si me era salutar, embora me sentisse melindrado com ela, e enchime de vergonha pela minha situação. Depois de haver murmurado um rápido «boa noite», levanteime e saí. Os outros seguiramme, e eu tive a impressão de passar directamente do camarote para o meu quarto, onde vi apenas Steerforth, que me ajudava a despir. Conteilhe que Agnes era minha irmã e rogueilhe que me fosse buscar o sacarolhas para abrir outra garrafa.

Em seguida, alguém deitado na minha cama (transformada em mar agitado), passou a noite a evocar, febrilmente, confusamente, tudo o que havia sucedido. E então esse alguém, retomando lenta consciência, principiou a arder de sede; tinha a pele endurecida como se fosse de cartão, a língua era como o fundo de uma cafeteira vazia, coberta de sarro, que continuasse a aquecer a fogo brando; as palmas das mãos pareciam folhas de metal escaldante, que nem o gelo poderia refrescar.

Que dor, que remorsos, que vexame experimentei no dia seguinte, quando voltei a mim. Com que pavor recordei as mil tolices que devia ter cometido, de que já me esquecera e que nada poderia ressalvar! E os olhos que Agnes me lançara! A impossibilidade em que me achava de comunicar com ela ainda mais me torturava, pois nem sabia o que Agnes fazia em Londres nem onde se hospedava. Causavame náuseas a simples visão da sala em que decorrera a minha orgia. Toda ela cheirava a tabaco. E aquele espectáculo de copos vazios... Ah, que nem me apetecia sair, nem sequer levantarme... Doíame a cabeça... Que dia aquele, o da véspera!

E que serão o meu, agora, sentado ao canto do lume, com um caldo morno à minha frente. Não me iria acontecer o mesmo que ao meu antecessor nos aposentos? Seria eu herdeiro do seu destino inglório? Quase desejava regressar a toda a pressa a Dover e contar tudo à minha tia. Quando a senhora Crupp veio buscar o prato do caldo e apresentarme um resto de rins (tudo quanto ficara do festim!), que vontade eu tive de me atirar ao seu peito e dizer, soluçando: «Que mísero sou!» Mas desconfiei, mesmo nesse instante crítico, que a senhora Crupp não era a confidente de que eu precisava.