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Havia já cinco semanas que os Aliens estavam em Bath e não sabiam se se demorariam ainda mais tempo. Catarina ouvia-os falar no assunto sempre com ansioso sobressalto. Nada lhe podia ser tão penoso como terminar as suas relações com os Tilneys. Toda a sua felicidade estava em risco, enquanto não decidiram, mas tudo ficou assegurado logo que resolveram alugar a casa por mais quinze dias. Pouco lhe importava a felicidade que lhes trariam estes quinze dias, além de ver mais algumas vezes Henrique Tilney.

Já uma ou duas vezes depois do noivado do irmão, Catarina tinha meditado no que poderia acontecer, e ousara mesmo pensar num talvez; mas, por agora, a felicidade de estar com ele limitava as suas intenções. O presente, agora, compreendia mais aqueles quinze dias e, tendo com certeza a felicidade assegurada para essa altura, o resto da sua vida pouco lhe interessava. Logo que soube da resolução, foi visitar Leonor Tilney e contou-lhe a sua alegria.

A pobre Catarina estava condenada a passar um mau dia.

Mal lhe disse todo o prazer que sentia por o senhor Allen demorar um pouco mais, logo Leonor Tilney lhe respondeu que o pai tinha já resolvido deixar Bath no fim da próxima semana.

Que golpe! A expectativa da manhã fora de pouca importância, comparada com a desilusão de agora! Catarina ficou muito entristecida e, com grande mágoa, repetiu as últimas palavras de Leonor Tilney: no fim da próxima semana!

- O meu pai raras vezes gosta de estar muito tempo nas termas, o que julgo lhe faria bem. Está aborrecido por não encontrar alguns amigos que esperava, e, como agora se encontra bem, tem pressa de voltar.

- Lamento - disse Catarina muito triste. - Se tivesse sabido disto antes. - Talvez que. - disse Leonor Tilney, atrapalhada - seria tão boa. dar-me-ia tanto prazer.

A entrada do pai fez perar as amabilidades de Leonor, que Catarina começava a compreender serem o pedido de troca de correspondência.

Depois de a cumprimentar com a habitual delicadeza, o general voltou-se para a filha e perguntou: - Então, Leonor, posso felicitar-te por a tua linda amiga ter atendido o teu pedido?

- Estava mesmo a começar a fazer-lho, quando o pai entrou.

- Então continua, pois bem sei o interesse que tens. A minha filha, menina Catarina - continuou ele, interrompendo a filha -, esteve a idealizar um grande projecto. Deixaremos Bath, como ela naturalmente já lho disse, de sábado a oito dias. O meu administrador escreveu-me e diz que a minha presença agora é indispensável em casa e, como não encontrei aqui os meus velhos amigos, o marquês de Longtown e o general Courteney, nada tenho que me prenda por mais tempo aqui.

Se conseguirmos convencê-la do que tanto desejamos, nada nos custará deixar Bath. Em resumo, é capaz de abandonar esta terra de triunfos públicos e dar à sua amiga Leonor o prazer da -sua companhia em Gloucestershire? Até me envergonho de lhe fazer este pedido, embora a qualquer pessoa de Bath este convite envaidecesse mais do que à menina. Modéstia como a sua. mas deixemos isso, nem por nada a quero ofender, elogiando-a francamente. Se nos quiser dar a honra da sua visita, teremos muito prazer. É certo que não terá tantos derivativos como aqui, nem tantos divertimentos e esplendores, pois bem sabe que vivemos duma maneira muito simples e despretensiosa, mas faremos todos os esforços para que não encontre a Abadia de Northanger muito enfadonha.

A Abadia de Northanger! Eis as palavras que penetravam na alma de Catarina e a deixavam extasiada. Sentia-se tão feliz e agradecida, que lhe custou a exprimir com relativa calma.

Receber um convite tão lísonjeiro! Solicitarem com tanto empenho a sua companhia! Via nisso, tudo o que havia de honroso, de deleitável, de alegría presente e de esperanças futuras, a que condescenderia, desde que os pais lhe dessem licença.

- Vou já escrever para casa - disse ela -; e se não se opuserem, o que espero não aconteça.

O general também assim o esperava. Já tinha ido falar com os seus amigos de Pulteney Street, e obtivera o seu consentimento. - Desde que consentem em ficar sem a sua companhiadisse ele -, parece-me que poderemos esperar boa vontade de toda a gente.

Leonor Tilney, ansiosa, embora delicadamente, secundou o pai com os seus pedidos, e, passados alguns minutos, resolveu-se o assunto, tendo em consideração a resposta de Fullerton.

Aquela manhã trouxera a Catarina várias sensações: de expectativa, de prazer, de desilusão, que se convertiam agora em completa felicidade. Com um entusiasmo delirante, Henrique no coração, e a Abadia de Northanger nos lábios, correu Catarina para casa a escrever uma carta.

O senhor Morland e a esposa, confiando nos amigos a quem havia entregado a filha, não tiveram dúvidas acerca da família com quem a filha se tinha relacionado; deram, pois, o seu consentimento, logo na volta do correio. Esta licença, embora já esperada por Catarina, fez com que ela se julgasse a pessoa mais feliz do mundo, tanto por ter amigos e muita sorte, como por aquele convite e pelas possibilidades que daí lhe poderiam advir. Tudo parecia combinar-se em seu favor. Pela bondade dos seus amigos Allens viera para Bath, onde tinha encontrado toda a espécie de alegrias. Os seus sentimentos, as suas preferências, tinham sido sempre correspondidos. Por quem quer que sentisse amizade, pudera mantê-la. Isabel ia tornar-se sua irmã, os Tilneys, a quem mais desejava ser agradável, tinham ultrapassado mesmo as suas esperanças com aquele convite amável. Ia ser hóspede escolhida, ia viver durante algumas semanas debaixo do mesmo tecto com aqueles que mais estimava, e, a juntar a tudo isto, ia viver numa Abadia. A sua paixão por casas antigas vinha logo a seguir à que tinha por Henrique Tilney, e castelos e abadias povoavam os seus sonhos quando a imagem dele não os preenchia. Ver e explorar as muralhas e as torres duma ou os claustros da outra, fora, de há muitas semanas, o seu sonho dourado, embora lhe parecesse impossível demorar-se lá mais de uma hora. Contudo, isso ia agora acontecer. Com todos os inconvenientes da casa, da entrada, do lugar, do parque, do campo de jogos e da cabana, Northanger tornava-se uma abadia e ela iria viver nela. Os seus corredores compridos e húmidos, as suas celas estreitas e a capela arruinada estariam todos os dias ao seu dispor, e não podia acalmar a esperança de conhecer algumas lendas tradicionais, algumas memórias daquela monja desprezada e infeliz. Parecia-lhe impossível que os seus amigos se mostrassem tão pouco orgulhosos de uma tal casa; que os sentimentos que ela provocava pudessem ser aceites com tanta indiferença. Só por a possuírem há muito se podia explicar tal desinteresse. Uma distinção para que já tinham nascido, não lhes dava orgulho. A superioridade da habitação não era para eles mais do que a superioridade do carácter das pessoas. Muitas eram as perguntas que ansiava fazer a Leonor; mas tão absorventes eram os seus pensamentos, que, quando ela respondia a estas perguntas, pouco mais ficava a saber além do que já sabia: que a Abadia de Northanger fora outrora um convento rico, do tempo da Reforma, que já na decadência tinha ido parar às mãos de um antepassado dos Tilneys; que uma grande parte do edifício era ainda a presente habitação, embora o resto estivesse em ruínas; que ficava num vale, fechado pelo norte e nascente por frondosas florestas de carvalhos.