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O casal Allen ficou pesaroso por perder a sua jovem amiga, cuja boa disposição e alegría faziam dela uma companhia valiosa, pois, a título de lhe proporcionarem diversões, tinham-nas eles gozado também.

Porém a sua satisfação por ir com Leonor Tilney não permitiu que eles pensassem mais nisso; e, como tencionavam ficar só mais uma semana em Bath, a falta não seria muito sentida. O senhor Allen levou-a a Milsom Street, onde ia almoçar, e viu que os seus novos amigos a recebiam com a maior gentileza.

Porém, tão grande era a excitação de Catarina por se encontrar ali, como pessoa de família, tão grande o receio de fazer o que não devia, e de não ser capaz de continuar a merecer a boa opinião que dela tinham, que quase gostaria de voltar para Pultenev Street.

As maneiras de Leonor Tilney e o sorriso do irmão em breve fizeram desaparecer as suas impressões desagradáveis. Porém, longe estava ainda de se sentir à vontade, apesar das constantes atenções do general que a poderiam tranquilizar inteiramente. Mas não; pelo contrário, por inacreditável que pareça, talvez se pudesse sentir menos deslocada, se fosse alvo de menos atenções. A preocupação deles era pô-la à vontade. Os pedidos contínuos para que comesse, , preoa-ipeì de não lhe servirem qualquer coisa de que não gostasse rora ela unea na sua vida tìvesse vist^ metad c!à. ida s pe havia na mesa -, tornavam impossível fz-la esquóc que era hóspeda.

Sentia que não merecia tais atenções A não sabia como corresponder-lhes. O seu à-vontade não melhorava, 140 vendo a impaciência do general por o filho mais velho não aparecer e pela arrelia que mostrava pela sua falta de pontualidade.

Nesta altura o capitão Tilney apareceu. Catarina sensibilizou-se ao ouvir a reprimenda severa, que lhe pareceu desproporcionada para a falta; mais se inquietou, quando percebeu que era ela o motivo principal da questão, que a sua demora fora absolutamente índesculpável, que fora uma falta de consideração. Isto colocou-a em situação muito melindrosa, que lhe fez ter pena do capitão Tilney sem por isso esperar a sua amizade.

Ouviu o pai em silêncio e não ousou defender-se, o que veio avolumar a inquietação de Catarina, que desconfiou que tivesse sido Isabel - não o deixando dormir - o motivo verdadeiro de o fazer levantar-se tarde.

Era a primeira vez que estava na sua companhia. Agora contava poder formular uma opinião acerca dele; mas mal ouviu a sua voz enquanto o pai permanecera na sala, e, mesmo depois, tão ofendido estava, que só lhe ouviu dizer baixo a Leonor.

- Quando se forem embora, é que hei-de gozar.

As atrapalhações da partida não são agradáveis.

U relógio deu as dez horas quando levavam as malas para baixo; e o general tinha fixado essa hora para a saída de Nlilsom Street. Em vez de lhe trazerem o capote para vestir, estenderam-no no cabriolé onde devia seguir com o filho.

O lugar do meio não foi ocupado, embora tivessem de entrar três pessoas, porque a criada de Leonor ocupara-o com tantos embrulhos que Catarina mal tinha lugar para se sentar; e o general, já aflito, muito mais se afligiu ao dar-lhe a mão para subir, pois a sua nova caixinha de correspondência ia caindo ao chão. Por fim a porta fechou-se atrás das três raparigas e, conseguindo sentar-se, partiram ao passo certo de quatro belos cavalos, coisa que um gentleman normalmente escolhe para uma viagem de trinta milhas, a distância entre Bath e Northanger, que ia agora ser dividida em duas etapas.

A boa disposição de Catarina apareceu, logo que se puseram em marcha, pois com Leonor não se sentia acanhada. Com a satisfação de passar por uma estrada desconhecida, com a expectativa de ver uma abadia, e ser seguida por um cabriolé, lançou um último olhar a Bath, sem tristeza; sempre que via um novo marco, experimentava novas sensações de surpresa agradável. Seguiu-se o tédio de duas horas de paragem em Petty-France, onde nada mais se faz a não ser comer sem se ter vontade, e gastar o tempo de um lado para o outro sem nada se ver.

A admiração de Catarina pela maneira como viajavam numa vitória moderna, os cocheiros vestidos a rigor, levantando-se rìtmicamente nos estribos, numerosos batedores que montavam com elegância, fizeram com que aquele tédio não fosse tão sentido. E se o grupo fosse mais alegre, a demora não teria sido tão notada; porém o general Tilney, apesar de ser um homem encantador, parecia um obstáculo aos divertimentos dos filhos; e pouco ou nada se falava a não ser quando ele o fazia.

Verificando isto e vendo que a estalagem não agradava ao general, que se aborrecia com a demora dos criados, Catarina sentiu-se mais aterrorizada com ele, e parecia-lhe que as duas horas aumentavam para quatro. Por fim a ordem de libertação chegou e Catarina ficou muito espantada quando o general lhe propôs que tomasse lugar no cabriolé do filho, até ao final da viagem. O dia estava bonito e ele queria que ela visse bem a paisagem.

A lembrança da opinião do senhor Allen a respeito das carruagens abertas e de rapazes, fê-la corar ao ser-lhe proposto tal convite. A sua primeira intenção foi recusar, mas a segunda foi acolher com o maior respeito o pensamento do general. Ele não lhe iria propor uma coisa indigna; por isso, passados alguns minutos, encontrou-se ao lado de Henrique, mais feliz que ninguém. Logo se convenceu de que um cabriolé era a mais linda carruagem do mundo.

É certo que a vitória tinha mais imponência, mas era muito maçadora e não podia esquecer-se das duas horas de paragem em Petty-France.

Ao cabriolé teria bastado metade do tempo. Os cavalos an davam tão bem que, se o general não quisesse que a sua carruagem fosse à frente, depressa a deixariam para trás. Mas o mérito não provinha só dos cavalos; era Henrique que os guiava bem, com muita segurança, evitando os saltos, sem a intenção de se exibir e sem praguejar para os cavalos. Que diferente era do único homem com quem ela o podia comparar! E o chapéu ficava-lhe tão bem, e os inúmeros cabeções do seu capote davam-lhe um ar tão importante! Ir na carruagem que ele guiava, a seguir ao prazer de dançar com ele, era a maior felicidade que havia. E a acrescentar a isto, tinha agora também o prazer de ouvir elogiá-la, de lhe agradecer, em nome da irmã, a gentileza de ter vindo passar algum tempo com eles. Ele considerava isso como prova de grande amizade pela irmã, amizade por que estavam gratos. - Leonor - dizia ele - está numa situação muito pouco agradável: não tem nenhuma rapariga que lhe faça companhia, e, quando o meu pai se ausenta, fica muitas vezes completamente só. - Então como pode ser isso? - perguntou Catarina. - Não está com ela?

- Nem sempre vivo em Northanger. Estou em Woodston, a vinte milhas de distância, onde tenho a minha freguesia e as minhas propriedades; por isso sou obrigado a passar lá a maior parte do tempo.

- Isso deve custar-lhe bastante.

- Custa-me sempre deixar Leonor.

- Sim, deve custar; além disso, também deve ter pena de deixar a Abadia. Depois de estar habituado a viver numa abadia, uma casa paroquial deve parecer-lhe bem pouco confortável. Ele sorriu e disse:

- Pelo que depreendo, formou uma ideia muito favorável da Abadia.

- É verdade que sim. Então não é uma casa boa, antiga, como as que se descrevem nos romances?

- E está preparada para afrontar todos os horrores que uma casa como as que se descrevem nos romances possa ter? É corajosa? Não se assusta com quadros e reposteiros que abanam?

- Oh, não! Creio que não teria medo logo à primeira, porque haveria muita gente em casa; além disso, nunca a deixariam muito tempo desabitada, nem a farríília vinha inesperadamente, como é usual acontecer. - Isso não. Não temos de apalpar o caminho até uma sala alumiada apenas pelo clarão mortiço das cinzas, nem somos obrigados a dormir no chão em quartos sem janelas, sem portas, ou sem mobília. N1as deve saber que; quando uma rapariga vai viver pela primeira vez num edifício desses (seja por que motivo for), fica sempre longe do resto da família. Enquanto eles vão para uma das extremidades da casa, ela sobe com Doroteia, a velha governanta, uma escada diferente, através de muitos compartimentos escuros, e por fìm entra num quarto que já não serve desde a morte de alguma prima ou de outro parente que morreu há vinte anos. É capaz de suportar isto?

Não ficará cheia de pavor quando se vir assim num quarto sombrio, iluminado apenas pelos raios mortiços duma luz frouxa, com as paredes cobertas de tapeçarias com desenhos de figuras em tamanho natural, e a cama, de damasco verde-escuro ou de veludo vermelho, mesmo de aparência fúnebre? Tem a certeza de que não terá medo?

- Oh, mas isso tenho a certeza de que nunca me acontecerá. - Com que excitação examinará a mobília do seu quarto! E que verá? Não verá mesas, toucadores, guarda-vestidos ou gavetas, mas, de um lado, um alaúde partido, do outro uma arca enorme que não é capaz de abrir; em cima do fogão o retrato de algum belo guerreiro, cuja figura tanto a há-de impressionar que não será capaz de desviar os olhos dele. Doroteía, entretanto, não menos impressionada pelo seu aspecto, olha para si muito temerosa e diz-lhe alguma coisa. Para a assustar mais, faz-lhe supor que naquela parte da Abadia apareceram fantasmas, e que não fica perto de nenhuma criada. Dizendo isto,

retira-se, e ouve durante muito tempo o eco dos seus passos; e, quando, já um pouco atrapalhada, quer fechar a porta, descobre, cheia de susto, que não tem fechadura.

- Oh, senhor Tilney, que medo! Parece mesmo um romance! mas é possível que isso me aconteça? Tenho a certeza de que a sua governanta não se chama Doroteia. E então, depois? - Na primeira noite é natural que não aconteça mais nada que possa assustá-la. Depois de vencer o imenso terror que tem pela cama, deita-se e passa algumas horas pelo sono, mas em sobressalto. Na segunda ou terceira noite, porém, haverá uma violenta tempestade. O ribombar do trovão parecerá que abana a asa e o medonho eco repercutir-se-á nas montanhas mais próximas; e, durante as rajadas de vento impetuoso que começa a assobiar, parecer-lhe-á ver (pois a sua lâmpada ainda está acesa) que uma parte da tapeçaria se move mais do que as outras. Incapaz de refrear a sua curiosidade, num momento tão oportuno, levanta-se de um salto, põe o roupão pelas costas e começa a querer descobrir o mistério. Depois de indagar alguns momentos, descobrirá uma divisão secreta disfarçada na tapeçaria, e, ao arredá-la, aparecerá uma porta fechada com trancas e um cadeado, que conseguirá abrir fàcilmente depois de alguns esforços. Com a lâmpada na mão, entrará num pequeno compartimento abobadado.

- Com o medo, nem seria capaz de fazer isso.

- Pois quê? Então nem depois de Doroteia lhe ter dito que havia uma passagem subterrânea secreta que comunica com a capela de Santo António que fica apenas a duas milhas de distância? Era capaz de sucumbir diante duma aventura tão simples? Tenho a certeza de que não. Desse compartimento passará a muitos mais, sem nada ver de especial. Num, talvez veja um punhal, noutro algumas gotas de sangue, e num terceiro os bocados de algum instrumento de tonura. Mas como isto não era nada de especial, e a lâmpada está a apagar-se, resolve voltar para o seu quarto. Porém ao passar de novo naquele pequeno compartimento abobadado, dá com os olhos num grande contador antigo, de ébano e ouro. Embora notando tudo, ti nha-lhe da primeira vez passado desapercebido. Impelída por um pressentimento irresistível, vai abrir as portas e remexe todas as gavetas. Primeiro não descobre nada de importância, a não ser um tesouro de diamantes. Mas, por fim, ao tocar numa mola secreta, abre-se um compartimento interior e aparece um rolo de papel e agarra-o; contém várias folhas manuscritas.

Quer levá-lo para o seu quarto mas mal tem tempo de decifrar tu, quem quer que sejas, em cujas mãos cairem as memórias da desgraçada Matilde, quando a lâmpada se apaga e a deixa em completa escuridão.

- Oh, não, não diga isso! Mas, continue.

Henrique, porém, estava muito divertido com o interesse que tinha suscitado, para poder continuar a história sem se rir.

Portanto disse-lhe que fantasiasse ela as desgraças de Matilde.

Catarina, voltando a si, envergonhou-se do seu arrebatamento e tentou convencê-lo de que, pelo facto de ter estado com tanta atenção, não queria dizer que tivesse receio de que lhe acontecesse o que ele estivera a contar. Tinha a certeza de que Leonor Tilney não lhe daria um quarto como o que ele descrevera. Não estava com medo absolutamente nenhum.

à medida que se aproximavam do fim da viagem, a sua impaciência (esquecida durante a conversa de Henrique), em vez de afrouxar, redobrou, e em cada volta da estrada esperava descobrir as suas paredes maciças de pedra cinzenta, emergindo da mata de velhos carvalhos, com raios do sol-poente a espalhar-se nas suas esguias janelas góticas. Porém, a casa estava num terreno tão baixo que Catarina se encontrou, sem sequer ter visto uma chaminé, a atravessar os grandes portões da Abadia.

Ela bem sabia que não tinha razão para se surpreender, mas no entanto esta chegada foi um pouco imprevista. Passar por dependências de aspecto moderno, encontrar-se assim com tanta facilidade nos domínios da Abadia, e atravessar tão ràpidamente os arruamentos lisos e suaves, sem pedras, espantos ou solenidades de qualquer espécie, parecia-lhe uma coisa bastante despropositada e incongruente. Mas agora não tinha vagar para considerações dessa espécie. Uma bátega repentina fustigou-lhe o rosto, o que a impediu de continuar a observar a paisagem e lhe desviou todos os pensamentos para o estado do seu novo chapéu de palha. Já estava perto dos muros da Abadia, já descera da carruagem ajudada por Henrique, já estava ao abrigo do velho pórtico, e tinha já mesmo passado para a sala de entrada, onde a sua amiga e o general a aguardavam para a cumprimentar, sem que sentisse o terrível presságio duma futura angústia ou a suspeita momentânea de que cenas passadas, horrorosas, se tivessem desenrolado dentro daquele edifício solene.

A brisa não lhe trazia gemidos ou suspiros de assassinados mas, apenas um chuvisco persistente; e, tendo dado um jeito ao vestido, estava pronta a entrar na sala de estar, e capaz de avaliar onde se encontrava. Uma abadia! Porém ela duvidava, à medida que olhava à sua volta, se as coisas que via lhe dariam esssa certeza. Havia bastante mobília em estilo moderno. O fogão, que ela fantasiara ser de grandes dimensões, com gravuras pesadas de tempos idos, era apenas um Rumford, feito de bocado5 de mármore vulgar embora bonito; em cima, como adorno, a faiança inglesa da mais fina. As janelas, para que olhava com uma atenção particular, porque ouvira dizer ao general que conservara o seu estilo gótico com um cuidado reverente, eram contudo inferiores ao que a sua imaginação tinha pintado. certo que o arco ogival ainda se mantinha - o estilo era gótico -, e as janelas podiam também ter gonzos. Mas os vidros eram todos tão grandes, tão claros, tão finos! Para uma fantasia que esperava por divisões pequenas, construções maciças, vitrais, pó e teias de aranha, foi um contraste muito desanimador.

O general notando que ela olhava para tudo, começou a falar da pequenez da sala, da simplicidade da mobília, onde tudo servia todos os dias, pretendendo confortar, etc, etc; gabando-se, porém de que na Abadia existiam alguns compartimentos dignos da sua admiração. Ía continuar, mencionando o dourado dispendioso duma sala, quando, tirando o relógio, parou imediatamente para exclamar, com assombro, que faltavam só vinte minutos para as cinco. Parecia que esta fora a or

dem da separação; Catarina viu-se arrastada por Leonor Tilney, de tal maneira que ficou logo convencida de que a mais absoluta pontualidade se exigia em Northanger. Passando pela entrada espaçosa e alta, subiram uma escadaria larga, de carvalho brilhante, que, depois de muitos lanços e patamares, as levou a uma ampla galeria. De um lado havia uma fila de portas e do outro era alumiada por janelas que, Catarina mal teve tempo de ver, davam para um pátio. Leonor Tilney, depois de indicar o quarto e de lhe dizer que esperava que o achasse cómodo, saiu, deixando-a entregue a leve correcção no que devia fazer no vestuário.